Índia busca parcerias no Brasil para o setor farmacêutico

SÃO PAULO - Uma delegação de 30 empresários indianos do setor farmacêutico, chefiada pelo ministro do Comércio, Indústria e Têxteis, Anad Sharma, desembarcou no Brasil com a missão de ampliar o fluxo de comércio do segmento entre os dois países e promover a troca de tecnologias, com destaque para os genéricos e medicamentos para tratamentos oncológicos.

Segundo Sharma, a Índia identificou no Brasil alguns setores aos quais poderia ser dada mais atenção a partir das tecnologias disponíveis em seu país. “A população sempre vai precisar de medicamentos. A classe média, tanto no Brasil como na Índia, está crescendo muito rápido. Nossa intenção é assegurar cuidados de saúde à população com baixos custos”, disse o ministro nesta quarta-feira, durante reunião com empresários brasileiros na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Sharma destacou que Índia e Brasil têm potencial para montar parcerias mais fortes para combater o monopólio tecnológico e de propriedade intelectual firmado por grandes indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos e da Europa. “Somos competitivos em qualidade e em custos”, afirmou. “O governo brasileiro tem planos ambiciosos para o setor farmacêutico devido ao tamanho do seu mercado. Nós temos expertise em parcerias público-privadas e queremos aprov eitar essa oportunidade aqui no Brasil, trocando conhecimento”, disse Anup Wadhawan, secretário-adjunto do Departamento de Comércio indiano.

“Não queremos competir com a indústria brasileira”, afirmou V. Madhusudhan, sócio da farmacêutica Natcofarma. “O desenv olv imento na área de medicamentos genéricos é importante para as duas economias e isso foi reforçado pela presidente Dilma Rousseff [que estev e em v isita oficial à Índia em março deste ano]”, disse. Para Madhusudhan, o Brasil paga caro em muitos segmentos e a parceria com a Índia poderia trazer para o país produtos-chave, reduzindo o custo farmacêutico através de tecnologia para produtos de oncologia, por exemplo.

Roberto Paranhos, diretor do departamento de relações internacionais da Fiesp, aposta nessas parcerias. “O que estamos comprando de outros países que poderíamos comprar da Índia? E o que podemos oferecer a eles? Esse pensamento precisa ser acompanhado de alternativas para prevenir problemas e encontrar oportunidades nos dois países”, disse.

A intenção de estreitar os laços entre a indústria farmacêutica dos dois países ainda precisa encontrar soluções para problemas que esbarram na burocracia, na av aliação de Ruy Baumer, coordenador de um comitê da Fiesp responsável pela discussão de temas ligados à saúde. “Temos problemas para reconhecimento de certificação de produtos brasileiros na Índia e muitas v ezes alguns testes precisam ser repetidos. Precisamos de uma associação que coordene essas ex igências na Índia em vez de lidar com cada companhia”, afirmou.

Por Carlos Giffoni
Site: Valor Econômico

 

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