Laboratórios criam Grupo FarmaBrasil

Depois de meses de articulação, o Grupo FarmaBrasil (GFB) saiu do papel. Essa entidade vai representar os interesses das farmacêuticas de capital nacional fazendo a ponte entre as indústrias e o governo. "A associação foi criada não para substituir outras entidades, mas para complementar os interesses do setor", disse ao Valor Reginaldo Braga Arcuri, presidente-executivo da entidade.

 

As conversas para a criação do GFB começaram em 2010, quando os principais executivos das farmacêuticas associadas se reuniram para discutir uma agenda estratégica para o setor. Após diversas reuniões, a entidade começou a ser estruturada em agosto do ano passado. Fazem parte dessa associação nove empresas: Aché, Biolab, Cristália, Libbs, EMS, Hypermarcas, Hebron, Eurofarma e União Química. Essas companhias representam 36% do mercado total farmacêutico e 53% do segmento de genéricos.

Assim como as multinacionais, que são representadas pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), o Grupo FarmaBrasil também busca uma voz única para as companhias de capital nacional. Com escritório-sede em Brasília, a entidade está criando uma agenda positiva para discutir políticas de saúde com o governo federal. Essas empresas pretendem criar uma agenda que permita transformar o país em um importante polo de inovação da indústria farmacêutica global, com foco em drogas sintéticas avançadas, fitoterápicas, além dos medicamentos biotecnológicos de primeira e segunda geração, em linha com as políticas do governo.

Oito das nove empresas associadas se dividiram em dois grupos para criar laboratórios voltados para o desenvolvimento de medicamentos biológicos - a Bionovis e a Orygen Biotecnologia.

Na atual agenda, o GFB deu início a discussões sobre biodiversidade, cujas regras são consideradas rígidas, o que inviabilizam investimentos no Brasil, sobretudo no segmento de fitoterápicos. Outra pauta em debate são as políticas de iniciativa para estudos clínicos no Brasil.

A recém-criada associação já está na ativa. Segundo Arcuri, a entidade participou de duas reuniões com Carlos Augusto Grabois Gadelha, secretário de ciência e tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde. Será uma reunião a cada bimestre.

A escolha de Arcuri - feita por uma consultoria de headhunter - foi considerada acertada pelo seu bom trânsito no governo. Mineiro, o executivo presidiu a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade responsável pela articulação, promoção e execução da política industrial, tecnológica e de comércio exterior do país. Entre 1999 e 2002, também foi secretário de desenvolvimento da produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Fonte: Valor Econômico - 12/07/2012

 

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